A menos de três semanas de abrir os números do segundo trimestre, a Vale (VALE3) divide opiniões no mercado — há convergência sobre receita e Ebitda mais altos, mas divergência sobre quanto a companhia realmente lucrou.
O Citi projeta lucro líquido de US$ 1,8 bilhão entre abril e junho, uma retração de cerca de 14% ante os US$ 2,1 bilhões do mesmo período de 2025. A receita, no entanto, deve subir aproximadamente 18%, para US$ 10,4 bilhões, e o Ebitda avançar 15%, a US$ 3,8 bilhões. O balanço sai em 30 de julho; antes, no dia 21, a mineradora divulga produção e vendas.
O que você precisa saber
- Citi: lucro US$ 1,8 bi (−14%), receita US$ 10,4 bi (+18%), Ebitda US$ 3,8 bi (+15%).
- BTG Pactual é mais otimista no lucro — US$ 2,81 bi (+33%) — com receita de US$ 10,5 bi.
- Produção estimada de minério: 85 milhões de toneladas; embarques de 80 milhões.
Por que os bancos discordam no lucro
A diferença está menos na operação e mais nas contas abaixo da linha do Ebitda. Enquanto o Citi vê pressão de custos — reflexo defasado do primeiro trimestre, real mais valorizado e despesas maiores com combustíveis e fretes —, o BTG projeta um lucro 33% maior, de US$ 2,81 bilhões. Nos dois casos, o preço realizado do minério deve ficar estável, ao redor de US$ 96 por tonelada, e o custo C1 na casa dos US$ 25.
A recomendação
O Citi reiterou a compra da ação. Para o banco, a Vale está mais protegida que as concorrentes por priorizar a geração de caixa livre em vez de grandes projetos de expansão, num cenário em que o minério deve seguir entre US$ 90 e US$ 110 a tonelada. Há ainda uma leitura mais construtiva para o níquel, diante das mudanças de política da Indonésia para o setor.
A ação no curto prazo
No pregão, a história é outra. A VALE3 aparece entre os papéis mais descontados do Ibovespa, com Índice de Força Relativa em 36,16 — perto da zona de sobrevenda. No ano, a valorização é de apenas 3,09%, ainda que, em 12 meses, o ganho chegue a 48,23%. O quadro técnico pode sinalizar oportunidade, mas, sem um catalisador claro, pede cautela.
Fontes
Matéria produzida com base em reportagens publicadas nas fontes abaixo. Números, cotações e datas conferidos junto ao material original. Acesso em 13 de julho de 2026. Conteúdo editorial — não é recomendação de investimento.